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Tecnologia

O que acontece às baterias?

Serão as baterias dos carros elétricos um problema ambiental?

Têm sido uma “arma” usada por quem ataca os veículos elétricos: “as baterias acabam no lixo sem qualquer controlo”. Uma ideia tantas vezes repetida e partilhada nas redes sociais que, como tantas outras “fake news”, acaba por convencer quem não se dá o trabalho de estudar minimamente a matéria.

É verdade que boa parte das baterias que usamos nos nossos gadgets acaba algures a campo aberto. Há, até, estudos que apontam para que menos de 10% destas baterias, incluindo as “pilhas”, são efetivamente recicladas. Um problema quem tem vindo a ser combatido, mas que urge resolver porque têm consequências negativas para o ambiente, sobretudo relacionadas com a contaminação do solo com metais pesados.

Mas isto não significa que o mesmo aconteça com as baterias “de tração” usadas nos veículos elétricos. Na verdade, as baterias usadas nos veículos elétricos têm taxas de reaproveitamento enormes devido a várias razões. Para começar, na Europa como, imagine-se, na China, as marcas automóveis são responsáveis pela recolha e tratamento das baterias em conformidade com apertadas leis de proteção ambiental. No Japão acontece algo semelhante com exigências muito apertadas sobre praticamente todas as peças dos automóveis, incluindo as baterias.

Mas mesmo sem considerarmos a legislação, observemos o que acontece na prática. Embora o histórico ainda seja reduzido, todas as marcas que comercializam carros elétricos têm recuperado estes componentes após terem serem utilizados nos veículos. Eu próprio já o verifiquei em carros elétricos que sofreram acidentes graves, que chegam às sucatas já com a bateria removida.

A razão de isto acontecer é simples: as baterias usadas têm um valor comercial elevadíssimo! Depois de serem usadas durante vários anos nos automóveis ainda têm, regra geral, uma capacidade energética acima dos 60 ou 70 por cento. O que significa que podem ser usadas, em sistemas estacionários para, por exemplo, estabilizarem redes elétricas ou guardarem energia produzida por fontes renováveis. Baterias usadas da BMW já estão em centrais de energia elétrica e em redes de carregamento; baterias usadas da Nissan já estão em sistemas de armazenamento de energia solar (recentemente foi anunciado um projeto deste tipo para o Teatro Camões em Lisboa); a Tesla recicla, com registos pormenorizados, os vários elementos das baterias para criar novas baterias; o mesmo acontece com os híbridos da Toyota… Ainda antes da reciclagem, as baterias são usadas, no mínimo, durante 10 a 20 anos.

Depois há uma série de processos que podem ser realizados para recuperar os materiais raros (e caros) das baterias, com taxas de reciclagem totais acima dos 95%. Várias empresas estão a desenvolver processos para atingir uma economia circular no que concerne a baterias, com aproveitamento quase integral dos diversos elementos.

Se há garantia que o mesmo vai acontecer quando os elétricos tiverem uma quota de vendas muito superior? Teremos de esperar para ver, mas, mesmo considerando razões puramente economicistas, tudo indica que sim.

Fonte
Exame Tecnologia
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