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Drones não deixarão uma pizza na sua casa, mas devem revolucionar as entregas

Densidade populacional e quantidade de prédios ainda são impeditivos nas grandes cidades. Indústria deve ser a primeira grande usuária das aeronaves não tripuladas, dizem especialistas.

Provavelmente você já ouviu falar do uso de drones para entregas, principalmente por conta da Amazon. No entanto, suas funcionalidades vão muito além da ideia de receber, na porta de casa, uma pizza deixada por por um desses veículos.

Na 12ª edição da Campus Party, que terminou no último sábado (16), foram discutidas diversas outras aplicações para as entregas feitas por aeronaves não tripuladas. Aliás, muito antes do público comum receber qualquer encomenda em casa, os drones já estarão voando por aí entregando coisas em outras áreas.

Uso industrial

A indústria deve ser a primeira e maior beneficiária dos drones de entrega, segundo especialistas.

Além da diversidade de aplicações e do maior investimento, o uso industrial também sai na frente por outra razão: a regulamentação. Atualmente, há restrições de uso de drones em centros urbanos por questões de segurança.

A enorme quantidade de gente nas metrópoles, o excesso de construções, e a circulação de outros veículos ainda geram insegurança nas autoridades que comandam o espaço aéreo.

“A regulamentação vem sendo pressionada pelo avanço da tecnologia”, afirmou Emerson Granemann, diretor da MundoGeo e organizador da DroneShow, feira de drones que acontece anualmente em São Paulo.

Enquanto a legislação não avança, no sentido oposto, indústrias se beneficiam com a versatilidade dos drones e já tem utilização permitida aqui no Brasil.

A maior vantagem é possuir grandes terrenos, com tráfego aéreo e circulação de pessoas reduzidos, deixando o ambiente mais seguro.

Neste caso, as aeronaves não tripuladas podem ser usadas para otimizar a logística, transportando peças entre galpões, e evitando, por exemplo, que máquinas fiquem paradas de forma desnecessária.

Drones da JD.com usados para entregar produtos na China. — Foto: Divulgação/JD.com

“Nas petrolíferas, em vez de levar uma peça de 1 kg de helicóptero entre as plataformas, vai ser possível fazer a entrega usando um drone”, diz Samuel Salomão, fundador da SMX, empresa brasileira especializada em transporte com drones.

O custo é outra questão bastante relevante. De acordo com a consultoria NewtonX, o custo de uma entrega de 8 km é de US$ 13 com uma bicicleta, US$ 10 com um carro e US$ 0,80 com drone. Este último valor ainda deve cair pela metade até 2025.

Até lá, os drones já devem ter se popularizado. “A partir do ano que vem já devemos ter aplicação privada nas cidades”, conta Salomão.

Corrida contra o tempo

De acordo com especialistas, a principal vantagem dos drones é a agilidade. Enquanto carro ou moto levam horas para atravessar uma cidade em horário de pico, as aeronaves podem fazer isso em pouco minutos.

Em muitos casos, minutos a mais em uma entrega pode ser a diferença entre a vida e a morte. Por isso, outra aplicação que deve se popularizar é na área da saúde, com transporte de medicamentos, vacinas e até sangue.

Drone da empresa Zipline usado para entregas na África — Foto: Cyril Ndegeya/AFP

Drone da empresa Zipline usado para entregas na África — Foto: Cyril Ndegeya/AFP

É o caso da Zipline, uma empresa americana que atua em Ruanda e Gana, ambos países na África. Utilizando drones, a companhia transporta insumos médicos para locais onde é praticamente impossível chegar de forma rápida com outro tipo de veículo.

Desde 2016, já foram realizadas cerca de 10 mil entregas, percorrendo mais de 1 milhão de km. Segundo a empresa, o tempo médio de entrega é de 30 minutos, contra 5 horas que um caminhão levaria para realizar o mesmo serviço.

No Brasil, a SMX, empresa de Salomão, já fez mais de 30 entregas de medicamentos usando drones no interior de São Paulo. A primeira delas foi em agosto do ano passado.

O próximo passo para Salomão é começar os testes em áreas com maiores desafios geográficos, como a transposição de rios e ilhas. “No momento, as entregas em grandes cidades não são possíveis pela regulamentação. Vamos acumulando horas de voo no interior, e provando que é seguro”, disse.

Entrega de medicamentos realizada por drone no Brasil — Foto: Reprodução

Entrega de medicamentos realizada por drone no Brasil — Foto: Reprodução

Drones serão complementares

Com tantas utilizações, pode surgir um receio de que motoristas e entregadores percam seus empregos, e carros, motos e utilitários deixem de ser usados.

“Não vamos boicotar carros e motos”, afirmou Pedro Curcio, diretor de uma empresa de entregas que utiliza motos e veículos utilitários, mas que já projeta o uso de drones para os próximos anos.

A fala de Curcio mostra que drones de entrega não irão substituir outros tipos de modais. Eles serão complementares, já que, muitas vezes, as distâncias e o tamanho das encomendas são incompatíveis com as aeronaves.

Ainda que não substitua totalmente os meios de transporte considerados convencionais, a retirada de veículos das ruas será inevitável. “O uso de drone nas cidades vai ajudar a desafogar o trânsito”, comentou Salomão.

Questionado se a mudança no modo de realizar entregas pode causar demissões entre motoristas e entregadores, Curcio foi enfático. “Vamos transformar o motorista em operador de drone”.

Pontos de coleta

Entrega de medicamentos realizada por drone no Brasil — Foto: Reprodução

Entrega de medicamentos realizada por drone no Brasil — Foto: Reprodução

Ainda que a pizza não chegue na porta de casa, os especialistas acreditam que diversos outros produtos poderão ser entregues aos clientes de forma mais rápida e barata usando drones.

As entregas deverão ser feitas em áreas específicas. “A partir daí, o cliente pode retirar no local, que pode ser um prédio comercial, ou o estacionamento de um shopping, por exemplo”, completa Curcio.

Outra possibilidade é combinar o drone com algum outro modal, como motos e bicicletas, por exemplo.

Fonte:G1

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