DestaqueNotíciasSaúde

Dois meses após o aparecimento do primeiro caso, país registra mais de 61 mil casos da Covid-19

A reportagem apresenta a trajetória de evolução de casos no país

Quarta-feira de Cinzas de um fevereiro bissexto, foi dia do anúncio do primeiro caso confirmado de infecção pelo novo coronavírus no Brasil.

Um empresário de São Paulo que retornou de uma viagem à Itália.

Sessenta dias depois daquele 26 de fevereiro, o vírus – que já tinha dado a volta ao mundo, percorreu o extenso “Brasil continental” de norte a sul.

Do paciente 1  para mais de 60 mil confirmados da Covid-19 foram dois meses. O número de mortes já supera os 4 mil. Há registro de casos e óbitos em todos os estados brasileiros – independente se o clima é frio ou quente, seco ou úmido.

Quando Simone Gioia ouviu falar a primeira vez do coronavírus não fazia ideia que isso atingiria sua família. Não é possível identificar como o marido foi infectado, mas os primeiros sintomas apareceram depois de  uma viagem Brasília – Rio de Janeiro.

Gilson Gioia está hospitalizado há mais de um mês, ficou na UTI durante três semanas. Sem poder encontrar o marido durante todo esse período e tendo que também fazer a quarentena, Simone alerta sobre os perigos da doença.

O novo coronavírus desafia a ciência mundial. Não há vacina, nem medicamento comprovado para o tratamento da Covid-19. Contudo, uma força-tarefa de pesquisadores está voltada para o combate da doença.

A urgência diante da pandemia que já matou mais de 200 mil pessoas no mundo, levou a mudanças de protocolo para acelerar a chegada da imunização.

Se antes, das primeiras pesquisas até a liberação, uma vacina demorava de 10 a 15 anos, desta vez cientistas querem chegar ao produto final em menos de 2 anos.

Na Universidade de São Paulo (USP) está em curso o desenvolvimento de uma vacina. A frente do projeto, o diretor do Laboratório de Imunologia do Instituto do Coração, o professor e pesquisador Jorge Kalil afirma que os estudos estão avançados.

Daqui a uma ou duas semanas a vacina já será testada em animais. De acordo com Kalil, se não for tóxica e induzir a proteção em animais, o próximo passo será o teste em humanos.

O médico Ciro Martins, do comitê de pesquisa da Covid-19 da Universidade de Brasília, destaca que instituições de pesquisas, hospitais públicos e privados brasileiros estão empenhados na geração rápida de evidencias cientificas. Ele destacou a busca  por tratamento.

Ciro também diz que diversas áreas de conhecimento estão realizando pesquisas no Brasil.

Para  Jorge Kalil, em situações como esta de pandemia fica ainda mais evidente a importância do investimento na ciência. O diretor do Laboratório de Imunologia do Incor explica que no caso de uma país desenvolver uma vacina sua população será a primeira a ser imunizada.

Sem um método para deter o novo coronavírus, nem leitos de UTI ou respiradores suficientes para pessoas em situação grave, esses dois meses foram também de mudanças de hábitos na população brasileira: cidades mais desertas, álcool em gel mais procurado que arroz em supermercados, reuniões e encontros virtuais, solidariedade com quem não tem alimento, nem sabão, às vezes, nem água.

Essa pandemia, com tantas mortes em pequenos espaços de tempo, modificou também os rituais de despedida. Sepultamento de caixão lacrado, sem velório e com limite de pessoas para acompanhar o enterro.

Enquanto perseguimos uma curva menos perigosa, essa estrada ainda nebulosa já subiu o morro, chegou às ruelas, às casas pequenas cheias de pessoas. Um grave problema que pode piorar nos meses que seguirão.

Fonte
EBC
Mostrar mais

Artigos relacionados

DEIXAR UM COMENTÁRIO

Política de moderação de comentários: A legislação brasileira prevê a possibilidade de se responsabilizar o blogueiro ou o jornalista responsável por blogs e/ou sites e portais de notícias, inclusive quanto a comentários. Portanto, o jornalista responsável por este Portal de Notícias reserva a si o direito de não publicar comentários que firam a lei, a ética ou quaisquer outros princípios da boa convivência. Não serão aceitos comentários anônimos ou que envolvam crimes de calúnia, ofensa, falsidade ideológica, multiplicidade de nomes para um mesmo IP ou invasão de privacidade pessoal e/ou familiar a qualquer pessoa. Comentários sobre assuntos que não são tratados aqui também poderão ser suprimidos, bem como comentários com links. Este é um espaço público e coletivo e merece ser mantido limpo para o bem-estar de todos nós.
Botão Voltar ao topo

Adblock detectado

Por favor, considere apoiar-nos, desativando o seu bloqueador de anúncios