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As conclusões do estudo sobre a vacina russa contra o coronavírus

Pesquisadores publicaram na revista Lancet alguns resultados que sugerem eficácia e segurança da vacina, mas muitos seguem céticos.

O novo estudo foi publicado na prestigiosa revista científica britânica The Lancet e envolveu testes com 76 pessoas ao longo de 42 dias, nos dois primeiros estágios de desenvolvimento de vacina.

Os autores do estudo são do Centro Nacional de Investigação de Epidemiologia e Microbiologia (Instituto Gamaleya), que está desenvolvendo a vacina. Segundo eles, “não houve resultados adversos” da Sputnik V entre as pessoas testadas e o composto conseguiu “provocar uma resposta imunológica”.

A vacina vem provocando polêmica no mundo — com alguns países interessados em comprá-la. Mas ao mesmo tempo vozes da comunidade científica veem com ceticismo o fármaco russo, já que as pesquisas foram conduzidas de forma muito acelerada, e sem passar por todos os estágios normais.

Enquanto isso, a Rússia promete começar a imunizar seus cidadãos em outubro. No Brasil, o governo do Paraná assinou um memorando de cooperação para ter acesso à Sputnik V.

A vacina foi testada em duas fases, sendo aplicada em cada fase em 38 adultos saudáveis, com idades entre 18 e 60 anos. Na primeira fase, tentou se estabelecer se a vacina era segura — sem provocar outros danos ao corpo das pessoas.

A vacina foi testada em duas fases, sendo aplicada em cada fase em 38 adultos saudáveis, com idades entre 18 e 60 anos. Na primeira fase, tentou se estabelecer se a vacina era segura — sem provocar outros danos ao corpo das pessoas.

Já na segunda, os autores disseram ter identificado a eficácia da Sputnik V. Eles dizem que os resultados sugerem que a vacina produz uma resposta das células T, um tipo de célula de defesa do corpo, dentro de 28 dias.

O fármaco russo é uma vacina de vetor: o material genético do vírus é transportado por um vírus inócuo, que não consegue se reproduzir (chamado de “não replicante”), com o intuito de estimular a produção de anticorpos contra o Sars-CoV-2.

A vacina russa usa dois vetores de adenovírus: um é o adenovírus humano recombinante tipo 26 (rAd26-S) e o outro é o adenovírus humano recombinante tipo 5 (rAd5-S), que foram modificados para expressar a proteína S do novo coronavírus.

A proteína S é usada pelo vírus para ingressar nas células e infectá-las. Os adenovírus usados foram enfraquecidos para que não consigam se replicar nas células humanas, causando novas doenças.

Os testes foram feitos com vacinas em formato congelado, já pensando na necessidade de se produzir e distribuir a solução em larga escala. Outra versão liofilizada (um processo de desidratação e congelamento a vácuo) também foi testada. Essa versão permite que a vacina seja enviada a lugares remotos e se mantenha estável em temperaturas baixas.

Os indivíduos se isolaram assim que se voluntariaram a receber a vacina, para evitar contágio prévio por coronavírus. Após a inoculação, eles seguiram em dois hospitais russos ao longo de 28 dias.

A versão congelada foi ministrada no hospital Burdenko, que é uma agência do ministério da Defesa, e incluiu militares. A versão liofilizada foi testada na universidade Sechenov apenas com voluntários civis.

Alguns efeitos colaterais foram relatados pelos pacientes, mas nenhum deles foi considerado grave: temperatura alta (50%), dor de cabeça (42%), falta de energia (28%) e dores em juntas e músculos (24%). Os sintomas são semelhantes aos de outras vacinas do tipo.

Para avaliar a eficácia da vacina, os cientistas compararam o plasma dos voluntários inoculados com o de pessoas infectadas. Segundo eles, a resposta de anticorpos foi maior entre as amostras dos vacinados.

Os próprios autores do estudo ressaltam que o estudo foi pequeno, incluiu apenas homens, não foi feito com placebo ou com vacina de controle. Eles também dizem que apesar de haver pessoas de diversas faixas etárias entre 18 e 60 anos, a maioria dos voluntários era jovem.

O que diz o novo estudo?

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