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Artigo de opinião: O que pensar sobre esta pandemia do Coronavírus

Em síntese, penso que jamais seremos e nem deveremos ser como antes após o fim desta terrível pandemia. Acredito que sairemos melhores, mais humanos aprendendo com as lições que certamente nos serão deixadas, ainda que de forma subliminar. Afinal, estamos todos levando um “choque” de realidade, de autoconsciência, de revisão de conceitos e de valores. Estamos sendo lembrados diariamente neste tempo de que a vida, em todas as suas formas, devem estar no centro das preocupações terrenas – muito mais do que a busca desenfreada por riquezas materiais, poder, ‘’status’’ ou outras coisas do gênero. Nesse sentido, não pretendo e nem me atreverei em discorrer aqui sobre o vírus, sobre a pandemia em si, sobre suas consequências na saúde pública ou sobre quaisquer medidas possíveis de controle e prevenção.  Não tenho formação pertinente, nem conhecimento científico para tal finalidade. Fiquemos sob as orientações das autoridades de saúde e informações replicadas constantemente pela mídia!  Tecerei aqui, o que humildemente penso ou sinto diante desse cenário. Talvez encontre eco nos corações de muitos que porventura sintam o mesmo que eu, ou que no mínimo procuram extrair algum aprendizado com toda esta vivência pós-advento da covid-19 e/ou do coronavírus.

É bom lembrar que o mundo já viveu outras pandemias. Esta não é a única, nem será a última. Houve também a gripe espanhola entre 1918 e 1920, também causada por um vírus, que ceifou milhões de vidas ao redor do mundo. Embora os números não sejam precisos, estima-se que 500 milhões de pessoas foram infectadas, o que correspondeu a mais ou menos um quarto da população mundial daquela época.  Registros históricos apontam que morreram cerca de 20 milhões de pessoas, outros apontam que teriam chegado possivelmente a 100 milhões de mortes em todo o planeta. No Brasil morreram cerca de 35 mil pessoas, incluindo o presidente da república Rodrigues Alves, que veio a falecer vítima da gripe em 1919. O então presidente que fora reeleito no final do ano anterior para um segundo mandato, não chegou a reassumir, morrendo antes da posse presidencial. Há informações de que durante a 1ª guerra mundial (1914-1918), morreram mais soldados americanos pelo vírus daquela gripe do que pelos confrontos sanguinários da própria guerra. Portanto, a pandemia da gripe espanhola, há cem anos atrás, foi ainda mais grave que esta do coronavírus e sem dúvidas, uma das mais devastadoras da humanidade.  Hoje somos cerca de 7 bilhões e meio de habitantes na terra, segundo dados mundiais da ONU (de 2018).  Comparando os impactos das duas pandemias, em termos de casos e mortes, dá para imaginar que os nossos irmãos que viveram nas duas primeiras décadas do século XX, ficaram muito mais aterrorizados que nossa atual geração com o coronavírus. Talvez até porque além de estarmos mais cientificamente preparados, tenhamos aprendido com os desastres das pandemias anteriores e nos prevenindo mais. Assim como a gripe espanhola passou, passará também a pandemia do coronavírus. Mais uma lição aqui: “tudo passa somente Deus permanece” (1 Pedro 1:25). As coisas boas e também as ruins passarão, só Deus não passará. Tenhamos fé, paciência e adotemos as recomendações pertinentes.

Nós que estávamos habituados a circular livremente, envoltos na correria dos tempos modernos, de repente com o advento desta pandemia, tivemos nossa vida drasticamente impactada. De uma hora para outra, fomos impelidos a ficarmos isolados e a deixarmos de fazer muitas das coisas que naturalmente estávamos acostumados a fazer. Irmos às missas, cultos ou reunirmos em assembléias já não pode mais.  Vimos nossas liberdades serem tolhidas por palavras de ordem como: “Não saia de casa!”, “Mantenha o distanciamento!”, “Use máscaras!”, “Lave bem as mãos, use álcool em gel!”, “Respeitem o ‘lockdown’!” e outras advertências similares, tão necessárias para as devidas prevenções. Essas mesmas medidas também nos colocam em pânico por tantas vezes, repetidamente, ouvirmos as maçantes mídias de comunicação nos poluir os ouvidos. Estamos “vivendo um ‘tsunami” de mudanças de hábitos e de costumes forçadamente. Por outro lado, o isolamento social e medos a que fomos expostos, abrem diante de nós uma perspectiva à reflexão: Quão frágil é a vida humana! Um minúsculo vírus, invisível a olho nu, mostra-nos que não adianta orgulhos, vaidades, pois nem sempre o dinheiro, poder, “status” são capazes de nos dar a segurança que tanto almejamos. Que é necessário, voluntariamente, às vezes nos recolhermos, desacelerarmos ou “pisarmos no freio” para refletir sobre a nossa vida, nossas atitudes, corrigir erros, mudar rumos e nos tornarmos pessoas melhores. Por isso, podemos dizer que nenhum fato advém somente para o bem ou somente para o mal. Em tudo existem os prós e os contra. A pandemia da covid-19 deixa evidenciado todo o mal que está causando na economia, na saúde pública, nos governos, nas sociedades e principalmente na vida das pessoas. Em contrapartida deixará boas e grandes lições para todos, destacadamente no que concerne aos verdadeiros valores e prioridades que a humanidade deve nortear suas ações, nas mais diversas esferas da nossa existência. Pautar a vida no amor, na paz, na solidariedade,  na fraternidade e priorização de ações que dignifiquem a vida humana sempre foi e deve continuar sendo as metas de indivíduos, sociedades e governos. De certa forma, esta crise, chama-nos à reflexão e nos faz relembrar novamente disso.

Estamos assistindo o colapso do sistema de saúde em vários países, incluindo o Brasil e outros países, que não priorizam adequadamente os investimentos no setor. Muitas vezes direcionaram desonestamente recursos da saúde para interesses particulares em terríveis esquemas de corrupção. Basta lembrar apenas, por exemplo, o esquema das Ambulâncias que desviaram milhões de reais do sistema de saúde brasileiro, além de tantos outros, os quais infelizmente nos envergonham e nos entristecem por demais.  Se vidas já eram perdidas, sem atendimento em corredores dos hospitais brasileiros, agora se agravou ainda mais. Não termos números de hospitais e nem leitos ou estruturas suficientes para atender o básico do dia a dia, quanto mais uma pandemia desta proporção. Uma lição para que sejamos cidadãos mais conscientes e seletivos aos escolhermos os nossos governantes. Que não nos deixemos mais ser enganados pelas falsas promessas, pelas propagandas midiáticas mentirosas e que consigamos votar em homens e mulheres do bem, cristãos honestos e de alto espírito público.  Uma lição para governantes, políticos e autoridades de que a corrupção mata mais a dignidade de um povo do que propriamente um vírus ou uma pandemia.  Governantes e autoridades corruptas privam-nos da dignidade humana, do acesso a direitos legítimos e tira-nos a esperança. Nossas crianças e jovens até deixam de sonhar por não vislumbrarem dias melhores. O recente auxílio emergencial, uma política imediatista mas, diga-se de passagem, é extremamente importante para socorro imediato dos que já viviam com dificuldades mesmo antes da pandemia e que agora se veem sem a menor condição de sobreviverem nesse isolamento social. Muitos já em subempregos trabalhavam de manhã para se alimentarem à tarde.  Serve de alerta para que políticas públicas verdadeiramente efetivas, de médio e longo prazo, sejam adotadas permanentemente, sem cunho eleitoreiro, para melhorar de fato as condições de vida das pessoas (mais emprego digno, mais saúde, mais educação, mais segurança, mais oportunidades, etc.). Assim, quando uma nova crise nos soterrar, os impactos negativos poderão ser menores, prejudicando menos principalmente os nossos irmãos já mais necessitados.

Talvez já tenham ouvido alguém proferir “Esta pandemia é a punição de Deus” ou “A covid-19 é o demônio nos visitando” ou ainda frases do tipo “Este coronavírus é um castigo de Deus”.   Como cristãos, devemos crer que não é nem uma coisa nem outra, ou seja, nem obra demoníaca muito menos castigos dos céus.  Deus é Amor e Misericórdia, portanto só quer o bem da humanidade. Ele não está nos castigando, mas permite que vivamos situações adversas sim. Acredito que esta crise do coronavírus é uma adversidade permitida por Deus, a qual concorrerá para o bem do mundo e purificação do homem. Uma oportunidade para o nosso próprio aperfeiçoamento como seres humanos e filhos do grande Criador.  O que devemos aprender, o que Deus quer nos ensinar com tudo isso que estamos vivenciando? Essa deve ser a nossa reflexão a despeito deste momento particular, com o intuito de evoluirmos como pessoa individual, humana, cristã e social. A história nos mostra que de tempos em tempos a humanidade é acometida por alguma grande crise, seja política, econômica ou social. E após cada uma delas também é confirmado grandes saltos de transformações positivas.  Toda crise nos causa mal, mas também é uma grande oportunidade para sairmos dela mais fortes e mais desenvolvidos. Não será diferente quando passarmos por mais esta.  Já estamos vendo, inclusive, o desenvolvimento de produtos, a evolução da ciência, solidariedade nos estudos científicos, a adoção de políticas conjuntas, maiores surtos de solidariedade enfim. Os efeitos positivos já estão aparecendo e ela ainda nem acabou. Poderemos sair melhores depois que a pandemia do coronavírus passar, se nos dispusermos a aprender com a crise. Creio piamente nessa condição. Já é uma felicidade, ver diversas manifestações de solidariedade e amostras de atos humanitários no Brasil e no mundo por conta da pandemia. Quando passar esses tempos sombrios, talvez pelo que já estamos assistindo, seremos uma sociedade mais justa e solidária.  As estações de observação já detectaram que após a pandemia, os mares e rios ficaram mais limpos, o ar ficou mais puro, a vida animal ressurgindo…animais passeando pelas margens das rodovias e cidades, de bem com a natureza novamente. Olha aí, outra grande lição que o isolamento está nos apresentando: o meio ambiente pede socorro – precisamos preservar o planeta, cuidar da natureza, não jogar lixos nas ruas, desenvolver processos mais limpos de produção no cotidiano. E, que é necessário desenvolver, progredir, mas garantir a sustentabilidade do planeta para as futuras gerações.

Assim rapidamente, podemos resumir algumas lições que devemos aprender com o coronavírus:

1- que a vida é nosso bem mais precioso – está acima de qualquer outro bem material;

2- que a vida é frágil – que devemos nos aperfeiçoar, mas ter a consciência de que não somos autossuficientes;

3- que no mundo há uma sucessão periódica de crises – devemos estar preparados para enfrentá-las e aprender com elas;

4- que tudo na vida passa, o que é bom e o que é mal, somente Deus permanece;

5- que Deus não castiga, mas permite situações adversas para a purificação e aperfeiçoamento da espécie humana;

6- que devemos pautar nossas vidas na solidariedade, na paz, no amor ao próximo e na priorização da dignidade humana;

7- que a corrupção nos governos mata mais que qualquer vírus e deve ser combatida veementemente, tal qual estamos fazendo contra a covid-19;

8- que as relações interpessoais, a convivência familiar, com os amigos são importantíssimas – não podem ser deixadas em segundo plano;

9- que o avanço tecnológico, a internet não servem apenas para distrair, mas para um uso mais inteligente, de forma mais sustentável, como para resolução dos mais diversos problemas via “on-line’’, como trabalhos em casa, negócios virtuais (‘Home office’), videoconferências corporativas, reuniões sociais e religiosas com intuitos diversos, educação à distância, além de outras infinitas possibilidades;

10- que os governos devem implementar políticas públicas de médio e longo prazos mais efetivas, sem fins eleitoreiros, distantes da corrupção e que promovam as condições de vida das pessoas, com ênfase maior em benefício dos mais necessitados;

11- enfim, que devemos valorizar mais a vida, a família, as relações e as coisas de Deus.

Não podemos ficar inertes a esse soco na consciência, que esta pandemia está nos dando. Aprendamos com ela e saiamos dela ainda melhores! – Continuemos nos cuidando e fazendo a nossa parte.

(Por: Ricardo Celso de Souza – Douradinho/MG, 07/05/2020).

 

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Texto de (Ricardo Celso de Souza)
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