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Dia dos Pais: força, foco e fé para seguir adiante Destaque

Dia dos Pais: força, foco e fé para seguir adiante

Conheça a história de Luciano dos Santos que perdeu um filho de apenas 16 anos e reconstruiu uma nova família

Neste domingo (13) é celebrado o Dia dos Pais e a reportagem do Brasil Metrópole e Jornal Folha Mineira vem trazer a você leitor uma história emocionante que servirá de incentivo e superação a todos os pais que forem ler. Trata-se de Luciano dos Santos, 51 anos, natural de Passa Quatro (MG), técnico em Eletrotécnica. Se casou com Vanise Carvalho Alexandrino dos Santos com quem teve três filhos: Taciane, Rafael e Mateus. Após concluir seu estágio e se formar na sua cidade natal se mudou para São Paulo a trabalho em 1984. “Era uma empresa que prestava serviço para a antiga Telesp (Construtel Telecomunicações) onde trabalhei por dois anos e oito meses e logo após fui efetivado na empresa”.

Luciano diz que de 1986 até 2007 sua vida acontecia da seguinte maneira: após se casar e fixar sua residência em Pouso Alto saía todo domingo para trabalhar e retornava na sexta-feira. “Minha presença com a família era nos finais de semana, férias ou feriado prolongado”, conta Luciano, que conheceu sua esposa em São Sebastião do Rio Verde (MG) num baile de Dia dos Namorados. “Naquela época reuníamos em colegas e íamos nos divertir e acabei conhecendo ela”.

Quando acontecia alguma atividade na escola de seus filhos quem representava Luciano era sua esposa Vanise. “Nos finais de semana eu estava presente como em Primeira Comunhão, Crisma, entre outros”.

No ano de 2007 seu filho Rafael estava estudando na cidade de Machado (MG) cursando Agricultura e Zootecnia (curso técnico) e no recesso do feriado de 12 de outubro ele viajou para Pouso Alto para encontrar sua família. Neste dia 12 ele fez tudo o que queria fazer: andou de bicicleta, foi no curral ajudar seu avô, tratou do cavalo que ele tinha, foi na casa de um amigo no bairro Taboão e ao voltar brincou com amigos de seu bairro (Córrego das Pedras). À noite tinha um baile no Clube RioVerdense na vizinha cidade de São Sebastião do Rio Verde. “Foi ele e sua prima Camila e durante a madrugada o pai dela foi buscá-lo e vieram como se nada tivesse acontecido. Ele não fumava e não bebia, inclusive era muito novo para isso também, pois tinha acabado de completar 16 anos. E assim que chegou, escovou os dentes, encontrou comigo no corredor me deu um beijo no rosto, me desejou boa noite, foi dormir e não acordou mais. A Camila pegou um travesseiro no quarto, a Taciane pegou o celular e ele tinha o hábito de acordar cedo. Nisso, o avô dele chegou e perguntou do Rafael. Isso era cerca de 10h40 e 11h. Chamei ele por duas vezes, mas não reagiu. Na hora a cabeça se perde. Eu saí do quarto dele e puxei a porta. O mais dolorido para mim foi encontrar minha esposa e minha filha no corredor e dizer que ele estava morto. Foi uma coisa muito rápida. Ele não se queixou de dor, nem pediu ajuda. Em cerca de meia hora minha casa estava lotada de gente” conta e desabafa o pai de Rafael vítima de um infarto.

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Após o velório e sepultamento, Luciano conta que ficou em casa um tempo a mais do que necessário com a permissão da empresa em que trabalhava. “Não tem como amenizar a situação. Somente com o tempo para administrar esta ausência. Esperei a Taciane concluir o ensino médio e o clima aqui não estava legal. Ficamos em Pouso Alto até dezembro. Pedi transferência do meu serviço para São José dos Campos e num dia quando entrei na minha casa o telefone toca. Era um amigo oferecendo um apartamento e ele sabia de tudo que eu tinha passado. E em fevereiro de 2008 recomecei minha vida”.

Luciano relata que as primeiras vindas para Pouso Alto foram muito doloridas. “A gente saía de São José, eu entrava no carro e vínhamos calados. Quanto mais chegávamos perto do nosso destino mais chorávamos. Foi somente com o dia-a-dia para aceitar e administrar o que aconteceu”, complementa.

Numa bela noite em um jantar sua filha Taciane chama seu pai e sua mãe para conversar. “Ela veio com a seguinte conversa: O que vai ser dela? E nós não entendemos”. Taciane disse que tinha seu irmão para dividir as coisas com ela e se sentia sozinha. “Isso mexeu com a gente. Nesse meio-tempo eu conversei com a Vanise perguntando se ela gostaria de ter um outro filho ressaltando que ele não substituiria o Rafael”. Na ocasião, Vanise tinha 42 anos e procurou sua médica para iniciar o tratamento. “Ela sempre tomou anticoncepcional e foi orientado sobre os riscos da gravidez que acontecem em qualquer idade, não somente na dela. Ela parou de tomar o medicamento na segunda consulta. Num certo dia ela me ligou que estava com uma dor, peguei ela em casa e levei numa consulta no hospital e na volta ela conta que estava grávida”. Nasceu então o Mateus que hoje com sete anos de idade alegra a vida do Luciano, Taciane e Vanise.

Perguntado sobre o sentido da vida e fazendo suas considerações finais, Luciano diz que é vivendo e aprendendo com o dia-a-dia. “Eu nunca esperava passar pelo que eu passei. Não desejo para ninguém. Não tenho inimigo. Eu sei que não sou eterno, mas é doloroso. Quando inverte a ordem natural da vida e você tem que enterrar um filho, independentemente da situação é muito difícil. Depois dessa gravidez veio o Mateus, que tem uma diferença de 20 anos para a irmã dele. Enfim, depois do que eu passei, é um dia após o outro. Não foi somente nós que perdemos o Rafael, mas os amigos também. A família é fundamental neste processo também. O que nos resta hoje é saudades”, finaliza. 

Última modificação emSábado, 12 Agosto 2017 19:20

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