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Da carne fraquíssima

Da carne fraquíssima

Dizem no interior de Minas que, quando urubu resolve mudar de rumo, sai de baixo. De todas as notícias na área política que afetam a economia, a pior delas é de novo a proibição de entrada de carne em natura nos Estados Unidos. Não porque aquele país ao norte do Equador seja um dos maiores importadores da nossa valiosa carne bovina, mas porque se você exporta para um país como os Estados Unidos, você tem uma referência de qualidade do produto e de serviços que os outros aceitam com naturalidade. E como os nossos bravos exportadores conseguiram, depois de tantos anos de trabalho árduo para distinguir a carne do Brasil, Brazilian beef, dos concorrentes argentinos, australianos e irlandeses, entre outros, que nos testes de qualidade fossem rejeitados 11 % dos lotes ao invés do limite aceitável de 1%, todos explicam mas não tem justificativa.

As explicações técnicas são inúmeras, desde a vacina (produzida por quem mesmo?), da dificuldade de se identificar o problema, até dizer que isso não tem nenhuma importância para a saúde e mais: que tudo isso é lobby norte-americano contra os exportadores brasileiros. Só falta dizer que os maldosos norte-americanos inventaram isso para derrubar o governo Temer. Porque, de fato, a proibição de entrada de carne brasileira nos Estados Unidos, vai afetar em muito, mas muito mesmo a nossa economia. Se depois da Operação Carne franca, que já afetou nossas exportações, não aprendemos que devemos tomar mais cuidado com a qualidade dos produtos que vendemos, seja no mercado nacional (porque pelo jeito esse controle não é feito para o consumidor brasileiro) ou para o exterior, então a situação está grave. Culpar o cliente que coloca normas claras para o fornecimento e você não as cumpre, não é desconhecer as regras de marketing do professor Kotler, mas as básicas do comerciante da Rua dos Caetés: freguês sempre tem razão. Em resumo, é de uma burrice e má fé inaceitáveis.

Essa mania de desprezar a inteligência dos outros não é nova. Há alguns anos exportávamos quiabo para a Franca. Que chegava podre. Porque? Porque trocaram a temperatura medida em Celsius por medida em Fahrenheit. E porque? Porque um super doutor que supervisionava a operação estudou nos Estados Unidos, onde se usa Fahrenheit, e confundiu. E lá se foi o quiabo.

O episódio de agora tem consequências trágicas para a imagem de carne brasileira e todos os produtos alimentícios. Nossas churrascarias nos Estados Unidos serão afetadas, a venda de pão de queijo, que ia tão bem, de cachaça, tudo, tudo. Isso é como bola de neve, só vai piorar.

Mas, o pior efeito será na economia rural. A arroba do boi está só baixando de preço, e com certeza absoluta quem vai pagar o pato é o pecuarista.

Está certo o Ministro da agricultura ir para Estados Unidos para conversar com os gringos, mas o problema não está lá, mas aqui. A Carne Fraca foi um aviso, a luz amarela pela qual passaram todos os frigoríficos. E agora acendeu a vermelha. Passou da hora de levarmos esses assunto a sério, fazermos as mudanças que precisam ser feitas, porque a chamada ilusão de que o setor agrícola sustenta a economia vai tornar realidade a frase: o boi foi para o brejo.

STEFAN SALEJ

Empresário

Ex-Presidente do SEBRAE Minas e da FIEMG- FEDERAÇÃO DAS INDÚSTRIAS DE MINAS GERAIS

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